52

Gravidez após cirurgia bariátrica

Gravidez após cirurgia bariátrica

Muitas mulheres que procuram a cirurgia bariátrica estão em idade fértil e tem dificuldade de engravidar devido a obesidade, que afeta a ovulação. Eliminando o peso extra, normalmente os ciclos menstruais ficam normalizados e a ovulação acontece.

É importante que a equipe médica tenha conhecimento da gestação e faça um acompanhamento, pois podem acontecer vários fatores que possam prejudicar a formação do feto, pelo fato do corpo ter baixas reservas de nutrientes e vitaminas.

Nas pacientes obesas, os problemas ginecológicos e obstétricos não são poucos. Quando conseguem engravidar, elas apresentam muito mais abortos e partos prematuros, diabetes gestacional, hipertensão arterial relacionada à gestação, pré-eclâmpsia, bebês demasiadamente grandes e com muito mais gordura corporal, hemorragias durante cesareanas, infecções de feridas cirúrgicas e complicações anestésicas.Nessas mulheres, a perda de peso, antes da gestação, pode propiciar as condições necessárias não somente à concepção e à gestação, mas também ao exercício da maternidade de forma mais saudável e feliz“, explica a médica.

Cuidados ANTES da concepção

A rápida perda de peso que se segue às cirurgias da obesidade alcança um platô por volta de 12 a 18 meses, após o procedimento. “É recomendável o uso de anticoncepcional nessa fase, uma vez que a perda rápida de peso pode colocar em risco o desenvolvimento fetal e os benefícios da perda de peso para essa mulher“, explica Ellen Paiva.

As técnicas classificadas como by pass desviam o alimento de importantes rotas absortivas e podem levar à deficiência de vários micronutrientes importantes para a saúde materno fetal. “As deficiências de ferro, cálcio, vitamina B12 e ácido fólico, comuns nas pacientes submetidas a essas cirurgias, são mais intensas nas mulheres que menstruam, uma vez que perdem mais ferro através do sangue menstrual“, observa a endocrinologista.

As deficiências nutricionais idealmente deveriam ser identificadas e tratadas antes da concepção. “Isso pode ser feito com a suplementação de ferro, através do fumarato de ferro, mais tolerável do que o sulfato ferroso, vitamina B12 via oral 500 a 1000mcg/dia ou por via intra-muscular 500 a 1000mcg uma vez ao mês“, afirma a diretora do Citen.

O cálcio – cerca de 1200mg/dia – deve ser administrado sob a forma de citrato de cálcio, uma vez que os sais de carbonato de cálcio requerem a acidez gástrica, e devido à redução drástica da câmara do estômago e do suco gástrico, estes nutrientes são muito mal absorvidos. “Finalmente, todas as mulheres em idade reprodutiva devem receber, pelo menos, 400mcg de ácido fólico diariamente, para a redução do risco das malformações neurológicas, os chamados defeitos do tubo neural“, diz a endocrinologista.

Cuidados gestacionais

Além da manutenção dos cuidados e suplementações já iniciados antes da concepção, geralmente, há a necessidade de se intensificar as doses das vitaminas e minerais. “Nesse momento, a gestante deve ser advertida sobre os riscos da super dosagem de uma vitamina em especial: a vitamina A. A dose contida nas vitaminas pré-natais é de 5000UI de vitamina A, por comprimido, e, muitas vezes, a gestante, após a cirurgia bariátrica, é corretamente orientada a ingerir 2 comprimidos por dia, alcançando a dose máxima de 10000UI da referida vitamina“, alerta Ellen Paiva. Além desses dois comprimidos, a gestante não deve ingerir nenhum outro remédio que contenha vitamina A, pois além da dosagem de 10000UI, a vitamina é teratogênica.

As queixas de desconforto abdominal nas gestantes devido a complicações da cirurgia bariátrica podem passar despercebidas ou podem ser confundidas com as alterações ligadas à própria gestação como os vômitos freqüentes, refluxo, contrações uterinas e mal estar matutino.

Os riscos das deficiências de micronutrientes aumentam com a progressão da gestação, levando à necessidade da suplementação desses através da via endovenosa ou intramuscular. É o caso das deficiências graves e resistentes de ferro e vitamina B12“, informa Ellen Paiva.

As baixas de glicose ou hipoglicemias, tão freqüentes nas gestantes de uma maneira geral, são geralmente mais freqüentes e mais graves nas gestantes após a cirurgia bariátrica. Além disso, a complicação mais sintomática e desconfortável dessas cirurgias, o chamado dumping, é também mais freqüente nas gestantes. “Há que se reforçar a necessidade das refeições mais freqüentes, o cuidado com o jejum prolongado e o risco dos líquidos ou alimentos sólidos ricos em açúcar. As manifestações extremamente desconfortantes do dumping dão à paciente submetida à cirurgia bariátrica a noção clara da importância do controle alimentar, tanto em relação à freqüência, como em relação ao tipo de alimentos ingeridos“, diz a médica.

Pós-parto e a amamentação

A perda de peso das gestantes, após a gestação e o parto, segue a mesma intensidade da perda de peso após a cirurgia bariátrica. Há relatos de que a maior parte do peso ganho durante a gestação é perdida nas primeiras 5 semanas após o parto.

A amamentação não é contra-indicada para estas pacientes, entretanto, quadros de deficiências maternas de microcutrientes, como os descritos acima, podem levar às mesmas manifestações nos bebês que estão amamentando. Essas mães devem seguir suas suplementações rigorosamente para realizarem o sonho de amamentarem seus bebês“, recomenda a endocrinologista.

Quando comparadas com as gestantes obesas que engravidam, aquelas que o fazem após a cirurgia bariátrica, têm menor incidência de hipertensão arterial, menor ganho de peso durante a gestação e bebês de peso semelhantes, embora os grandes fetos macrossômicos sejam menos comuns nas mulheres operadas.

A orientação nutricional e a adesão das pacientes ao novo programa alimentar favorece os resultados positivos das gestações de mulheres submetidas à cirurgia bariátrica. Por outro lado, a dificuldade que muitas dessas pacientes têm de seguir estas mesmas orientações pode tornar essas gestações complicadas, expondo os bebês aos riscos de graves malformações e desnutrição“, conclui a endocrinologista Ellen Paiva.

FONTE:  Portal O Bonde

Fundadora do MagraEmergente.com, ex-obesa mórbida, tendo emagrecido mais de 85kg após cirurgia de redução de estômago e futura nutricionista.

52 Comentários para “Gravidez após cirurgia bariátrica”
  1. Daia Marchiori says:
  2. Rita says:
  3. Letícia says:
    • Flavia says:
    • Roberta says:
    • luciana silva da cruz says:
    • Larissa says:
  4. Fabi says:
  5. kelly says:
    • Ana Cristina says:
      • sabrina says:
    • sabrina says:
  6. Livia says:
    • JP says:
  7. luciana silva da cruz says:
  8. Carolina says:
    • Ana Diniz says:
  9. Carla says:
    • érika says:
    • Mari ( atelierXeirinho de Nenêm) says:
  10. carla says:
    • Cristina says:
  11. Larissa says:
  12. Edneusa da Silva says:
  13. lilian says:
  14. lucyana silva says:
  15. MARJORY says:
  16. Amanda Peixoto says:
    • Renata Mendes says:
    • Rosangela Costa says:
      • Mônica Paula says:
  17. Viviane says:
  18. Danielle says:
  19. Andréia says:
  20. Karem Maryanna says:
  21. MIRNA says:
  22. Paula says:
  23. EMANUELA says:
  24. Simone says:
  25. Diana Rodrigues Gama says:
  26. fernanda says:
  27. Karina says:
  28. Sinthia Regina says:
  29. Cinthya Harder Brito says:
  30. samara evelin dos santos ferreira says:
  31. Rubia Rosar says:
  32. Mony says:
  33. Michela says:
  34. Raquel says:
  35. Andreza dos Santos says:
  36. Andreza dos Santos says:
  37. Magda says:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *