Gastroplastia x Alimentação: o que mudou

Tiane Brites 4 de maio de 2009 9 3.919 visualizações   
Gastroplastia x Alimentação: o que mudou

Quando resolvi me submeter à gastroplastia, tinha plena consciência que muita coisa mudaria, principalmente no quesito alimentação.

Fui me preparando dia a dia, pesquisando informações, lendo livros, conversando com amigos que se submeteram à gastroplastia e por fim, fui à nutricionista levando todas as minhas dúvidas e querendo saber o que era ou não lenda. Sim, porque elas existem!

Não vou ser hipócrita e dizer que minha alimentação era saudável, porque não era.  Aliás, a maioria dos obesos que conheço, diz que a alimentação é ‘normal‘.

Entendo que algumas pessoas chegam à obesidade mórbida não porque querem, até porque acredito que ninguém deseje ser obeso, mas por doenças que vão se associando ao longo do tempo.  Mas sei que existem pessoas que se escondem atrás da obesidade para não viver, porque tudo passa ser uma desculpa para deixar de fazer alguma coisa.
No meu caso, alguns fatores contribuíram para atingir 145kg, o pico do meu peso: ansiedade, disfunção na glândula da tireóide (tomo medicamento para controle até hoje e ela já está normalizada), má alimentação e genética.
Enquanto obesa, achava a alimentação ‘politicamente correta’ um porre, admito! Sofria por ver alguém comendo alface, tomates, carne grelhada, frutas. O que tinha de ruim comer ‘direito‘ (leia-se, exageradamente)? A minha infância não era recheada de doces, biscoitos ou balas, pelo contrário, dificilmente se comprava esses produtos para dentro de casa. Comia, às vezes, na escola ou na casa de colegas. Hoje analisando bem, percebo que o erro foi a quantidade e qualidade. Esses dois nunca andaram de mãos dadas nas minhas refeições. Sempre havia muita massa, as refeições eram sempre muito fartas e comia quantas vezes achasse necessário para me saciar.

Após a gastroplastia em março de 2007, descobri um mundo completamente novo e me adaptei muito bem à ele. Percebi que meu paladar mudou! Alimentos que não tinha o hábito de comer, como por exemplo a couve, agrião, espinafre, alface e quiabo, hoje como e gosto demais! Atualmente, sou apaixonada por couve e alface, não abro mão! Depois de um tempo, parece que o corpo pede esses alimentos, para poder lidar melhor com as baixas dos nutrientes.

É frequente perguntas do tipo: “Você consegue comer arroz?“, “Você consegue comer carne?“, “Você passa fome?“. Como se pra comer esses alimentos existisse alguma dificuldade. Como arroz, pão, carne e não passo fome, aliás, nunca passei.

A minha opinião é que existem pessoas que apresentam dificuldades para ingerir alguns alimentos, isso é fato. Porém, há aquelas que se mostram despreparadas para todo esse processo que envolve a gastroplastia (porque não se engane, é preciso estar MUITO preparado para se submeter à redução de estômago!) . Algumas pessoas se negam a comer carne, pães e outros alimentos pois alegam que passam mal. Será que a mastigação foi feita de forma adequada? O ideal é comer sem pressa, mastigar MUITO, porque se o alimento descer em pedaços, pode contar que acontecerão entalos e vômitos. Por isso a primeira opção é deixar de comê-los, porque é mais fácil DESISTIR do que fazer BEM FEITO.

Pensam que é fácil contratar um cirurgião, fazer uma cirurgia, chegar em casa e tomar 1litro de suco de pêssego, num estômago que cabe em média 50 a 100ml, como foi o caso do Chiquinho Scarpa, que comentei neste post, que já foi re-operado 3 vezes, para limpar a cavidade abdominal devido aos grampos terem se rompido após a bebedeira.

Se eu entalo? Claro! Mas confesso que é bem pouco. Normalmente quando estou com pressa ou assistindo televisão… O erro está aí: perder o foco. Durante as refeições o foco tem que ser exclusivamente a comida, por isso, evite conversas, ambientes tumultuados, televisão. A minha dificuldade é com frango: pode ser na chapa, cozido, assado, na sopa… eu sempre entalo! Por isso, sempre procuro mastigar 2x mais quando tem frango no prato. Parece que a textura fica um pouco diferente, mais seca.

Atualmente, a minha alimentação é normal e como de tudo, tudo mesmo! Segundo a Dra. Maria Clara, minha nutricionista, a quantidade atualmente está adequada, cerca de 200gr, no almoço/jantar.

Faço 6 refeições por dia:

Café da manhã - prefiro priorizar com frutas e quando não as tenho, como pães.

Lanche da manhã - tomo iogurte ou gelatina.

Almoço - como carboidratos + legumes + verduras.

Lanche da tarde - fruta (normalmente como1 banana ou 1 maçã ou 1/2 mamão pequeno)

Jantar - Proteínas + salada

Ceia - biscoito água e sal + suco/chá

Claro que tem dias que caio de boca em alguma besteira ou como mais do que deveria. Mas procuro não me restringir, se tenho vontade de comer chocolate, por exemplo, vou lá e como na boa, sem culpa. Vivo na Lei da Compensação: se comi uma barra de chocolate (e tive dumping, isso é certo!..hehehe), na proxima refeição ou no dia seguinte, sigo a risca o meu cardápio e procuro não exagerar durante a semana.

Comer de tudo não faz mal, o que faz mal é a QUANTIDADE EXAGERADA.

Sugestão de post:  Joyce (http://joy-mudandodevida.blogspot.com)



9 Comentários »

  1. Adriana de Jesus 4 de maio de 2009 at 10:02 - Reply

    concordo com Vc, que não quer desafios e mudanças não deve pensar na cirurgia,
    eu tb como bem todos os alimentos, tenho cuidado com doces e gorduras pois o duping me persegue…mas os benefícios são incontáveis a saúde é o principal, para continuar e se manter com o peso normal, é preciso ter vigilÂncia que digo eterna, beijos

  2. Ingrith 4 de maio de 2009 at 11:34 - Reply

    Pois é, eu tb como de tudo!!! Só que pouco… finamente pouco, rsrs

  3. Ai Tiane adorei o post de hoje, nossa fiquei bem mais tranquila. Realmente o importante é estar bem preparada eu estou bem consciente também de toda essa mudança, a mastigação eu treino todos os dias desde quando comecei o grupo pré-oporatório, no começo eu não tinha paciência agora já estou bem mais adptada, mas ainda não estou mastigando como deveria, as primeiras garfadas eu como rápido e depois vc diminuindo, sei que isso não poderá contecer pós gastroplastia senão eu “entalo” e não vai descer mais nada!! Bjão e obrigada!!

  4. Adriana (Natal-RN) 9 de maio de 2009 at 22:59 - Reply

    Muuuito interessante este post!!! Vc fala de uma maneira clara e bem informativa. Concordo plenamente com vc que a cirurgia é uma ferramenta e q manter o peso, após a perda total, é inteiramente de nossa responsabilidade. Por isso precisamos mudar hábitos e fazer uma reeducação alimentar enquanto estamos perdendo peso, só assim conseguiremos perder os kilos a mais e manter o peso ideal.
    Bjs e obrigado pelas dicas

  5. isabel 15 de outubro de 2009 at 10:28 - Reply

    ollá

    Somente quem é gordo entende o significado dessa sua vitória. Sou gorda e estou pesquisando´.Tenho a primeira consulta marcada para semana que vem.Estou cheia de espectativas e medo.,mas voce me deixou mais confiante.Obrigado pelo seu depoimento.
    beijos e continue feliz.

  6. Bia 15 de outubro de 2009 at 11:23 - Reply

    Sou operada há 5 anos e tbm como de tudo. Concordo que o segredo para se comer de tudo só que pouco, é a mastigação. Apenas uma porcentagem muito pequena continua com intolerância a lactose após o primeiro ano de cirurgia. Que a tem deve repor com suplementação. Mesmo o famoso dumping apenas 35% das pessoas que operam o tem. Saibam mais no abcdaobesidade.com.br

  7. wanessa 12 de março de 2010 at 11:18 - Reply

    oii muito bom o que eu li aodrei marquei minha primeira consuta dia 8 de abril do feliz por fazer ma ainda com medo
    sera q esse medo e normal
    ??
    brigadoooo

  8. Fabiana I. C. Mello 21 de maio de 2010 at 1:25 - Reply

    Estou preces a ser operada, com muita ansiedade e um pouco de nervosismo mas sei que vai dar tudo certo, estou muito confiante e feliz porque sei que vou ter mais uns anos de vida, e agora saudável!!!

  9. Helen 12 de abril de 2013 at 0:06 - Reply

    Oiii, faz uma semana que fiz o método Sleeve. Estou muito feliz já perdi 10 kg. Me preparei muito para essa cirurgia e acho que meu psicológico está respondendo maravilhosamente bem! As mudanças são radicais pra quem estava acostumado a comer dois pães francês de manhã, um prato cheio no almoço e jantar e maiores besteiras durante o dia, mas é um esforço que vale a pena.
    O que me pegou muito essa semana foi a vontade de comer alguns alimentos nas horas de costume das refeições, pois na minha casa minha mãe (também gastroplastizada) tem que cozinhar para o restante da família, e como estou na dieta líquida nem pensar em colocar nada na boca!!!
    Essas vontades vem e passam, mas me controlo, já que tive essa escolha tenho que seguir até o final!
    Beijos Tiane!!

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