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Há um tempo atrás, nunca imaginei que eu pudesse e conseguiria fazer atividades físicas. Na época de escola, eu vivia pegando atestados médicos e matando as aulas de educação física, porque tinha vergonha de correr ou tentar fazer alguma coisa e nao conseguir. E quando fazia era um suplício. Eu pedia pra morrer naquele instante. Depois da aula, ainda tinha o vestiário… Imagina, aquele bando de pré-adolescentes peladas no banheiro se analisando e uma gordinha no meio delas… Não conseguia mesmo! Fazia hora no vestiário até que as outras meninas saíssem, aí sim, eu ia pro chuveiro tomar banho. Eu não conseguia participar daquilo, era uma martírio pra mim. Fora os comentários, que me deixavam extremamente deprimida.
Aos 15 anos cheguei a pesar 145 kilos. Disso eu nunca vou esquecer, de sair em todas as lojas procurando uma roupa que entrasse em mim. Nada servia! Eu achava uma absurdo fazerem roupas tão pequenas…(risos) Até que fui em uma loja de departamentos conhecida e achei na parte de gestante um conjuntinho lindo, mas só a bermuda coube. Peguei então uma blusa de um outro conjunto. Meus 15 anos foi deprimente. Não tive festa, só um bolinho. Não tinha amigos nessa época, afinal pra que ser amiga de uma gorda, não é? Os gordos nunca conseguem fazer nada mesmo… Meus convidados da festa foram minha mãe e irmã. Só. Cantei os parabéns e fui dormir, morta de ódio e sem entender porque ninguém gostava de mim. Era uma adolescente triste, deprimida e sozinha.
Descobri o hipotiroidismo, que me fazia engordar. A danadinha da glândula é que não queria trabalhar direito (risos). Era mais fácil colocar a culpa do meu excesso de peso na tireóide e não em mim mesma. Comecei a tomar o remédio de controle da tireóide e depois de 1 mês, me vi 8kg mais magra. Achei tudo de bom!!
Fiz dieta da lua, da água, do arroz, do barbante, do suco, da melancia e fui em vários e vários endocrinologistas pra controlar o meu metabolismo. Na época, nem se falava em nutricionista. Lembro bem que a minha primeira consulta com um endocrinologista foi aos 8 anos, guiada por meu pai. Saí de lá com a receita de um inibidor de apetite. Achava que ali estava minha salvação.
Mentira! Voltei mais algumas centenas de vezes. Eu até que emagrecia, mas depois que parava com o remédio, eu engordava o que eu tinha eliminado e mais um tanto.
Um pouco mais velha, comecei a lidar melhor com a obesidade e percebi que só dependia realmente de mim. Claro que tive fases de querer me jogar na frente do carro, mas logo passava…(risos). A pior coisa pra mim era ouvir: “Vamos sair hoje??” Eu já gelava na hora e ficava pensando nas minhas roupas, em qual cabia e qual não cabia… A maioria não cabia, o que me fazia desistir na hora de sair. Sempre inventei uma desculpa pra não ir para as baladas.
Numa dessas dietas malucas, quando pesava uns 105 kg, tomei uma fórmula dessas manipuladas e em pouco mais de 60 dias, havia eliminado 30 kg!!! Fiquei magra!!! Eu me sentia a super poderosa, com a auto-estima super elevada. Mas tive alguns problemas de saúde… Já não menstruava, não evacuava e sentia fortes dores abdominais. Sem falar na minha barriga que inchava e parecia que eu estava grávida de trigêmeos. No auge da dor, eu já andava curvada, segurando a barriga de tanto que pesava e sentia dores.
Fui parar na Sta Casa de Misericórdia de Belo Horizonte e fiquei internada por cerca de 3 meses. Ninguém sabia o motivo da dor, do inchaço, dos vômitos com odor forte e frequentes. Até que um dia, fiquei muito mal e me avisaram que no dia seguinte, eu seria levada ao centro cirúrgico para verificar o que estava acontecendo dentro de mim. Acharam muito pus e um abscesso intestinal. Um dos ovários estava necrosado, o intestino tinha dado um nó e por isso, os vômitos em forma de fezes. Arrumaram o meu intestino e retiraram um dos ovários. Deu tudo certo e em menos de 1 semana já estava em casa.
Mas voltei a engordar. Nada é tão fácil assim… Os 30kg e mais um tanto voltaram rapidamente.
Comecei a pensar na tal ‘redução do estômago‘, que tanto se falava na televisão, mas nem imaginava como seria essa cirurgia. Só sabia que seria a melhor forma de resolver meu problema com o mundo, mas só depois, descobri que a cirurgia não é a solução para todos os problemas.
Fiz um plano de saúde, mas logo após perdi o emprego e não consegui continuar a pagar o plano.
Continuei a pesquisar sobre a cirurgia, mas achava pouca informação porque era algo um tanto quanto recente e não se falava tanto na TV, como se fala hoje sobre o assunto.
Fiz novamente o plano de saúde e procurei um clínico geral pra fazer um bom check up. Pedi informações sobre a cirurgia de redução de estômago e ela me falou as palavrinhas mágicas: “Você tem todos os pré-requisitos pra fazer a cirurgia”. Saí do consultório feliz da vida e com a certeza que faria a cirurgia o mais breve possível. Descobri que o meu plano de saúde tinha carência pra esse tipo de cirurgia e que exigiam também, um acompanhamento em grupo com um psicólogo. Pronto, mais uma barreira pra conseguir o que eu tanto queria, eu pensava. Pra quê acompanhamento psicológico pra fazer uma cirurgia???? Um absurdo! Deve ser pra fazer a gente desistir…
Esperei a carência do plano, mas mesmo assim entrei com uma ação na justiça e no final das contas, consegui um acordo pra realizá-la, com a condição de passar pelo perito médico e pelo grupo de obesidade que seria formado em agosto de 2006.
Eu esperei. Paralelo a isso, comecei a conhecer muita gente que fez a redução de estômago (cirurgia bariátrica) e comecei a conhecer mais sobre a famosa cirurgia, meu sonho de consumo.
Aprendi muito com todas as pessoas que conheci e nenhuma delas me disse que o processo era fácil, pelo contrário, me falavam horrores. Diziam que não aguentavam comer nada, que nada parava no estômago, que comiam igual passarinho… Achava um pouco estranho. Mas como cada um é cada um, resolvi absorver o lado bom e ruim da história. Havia também, os casos de sucesso e os que chegavam ao óbito. Aprendi com eles também.
Cada dia que passava ficava mais e mais animada com tudo.
Agosto de 2006 - Afinal foi marcada a minha participação no grupo de obesidade do meu plano de saúde. Éramos 6 pacientes e a psicóloga, que achei tudo de bom! O tipo de psicóloga que não te critica, mas faz você pensar no porque se chegou até ali e o porque de se querer ir para a cirurgia, pra analisar os motivos. Show de bola!! Adorei a primeira sessão.
Fiquei no grupo de obesidade até janeiro de 2007, quando fui liberada para a psicóloga para realização da cirurgia bariátrica. Alguns exames já estavam prontos e fiz os que faltava, levando todos os laudos (endo, psico, pneumo…) para o meu cirurgião especialista em cirurgia bariátrica. Depois de mais ou menos 2 ou 3 consultas, afinal estava marcada a minha cirurgia!!!!
Não me cabia de felicidade e saí ligando pras pessoas e contando sobre a data da cirurgia.
Parecia que eu estava saindo de uma jaula (risos).
Marquei minha cirurgia pra 02 de março de 2007 e tirei minhas férias. E correu tudo dentro dos conformes e sem nenhuma intercorrência. Fiquei de sexta à segunda-feira internada.
Minha primeira ‘alimentação’ foi no hospital: gelatina de morango e suco de maçã. Depois de tanto tempo sem ingerir nada, como era bom aquele suco geladinho…
Fui pra casa e correu tudo muito bem. Só tive dificuldades mesmo pra deitar/levantar da cama e tomar banho. Após os 15 dias da cirurgia, já fazia de tudo dentro de casa, mas em pequenas proporções.
Com 1 semana de cirurgia, já havia eliminado 8 kg e em 15 dias, 12 kg. Estava em uma lua de mel comigo mesma, tudo era perfeito!!!
Na primeira semana, foram só liquidos claros que podiam ser ingeridos. Suco natural, água, água de coco.
Na segunda semana, os líquidos foram liberados, com exceção claro, de refrigerante. Tomei gelatina em forma líquida, sucos, água.
Na terceira semana, começaram as sopinhas ralas. Uhmmm.. bom demais!! E fazia daqueles sopões com cenoura, batata, couve, carne e peneirava, tomando só o caldinho mesmo.
Na quarta semana, passei pra fase dos purês. Purê de batata, de cenoura, sopa batida no liquidificador sem muita água.
Na quinta semana, comecei a me alimentar dos sólidos. Arroz, feijão, cenoura, alface, pedacinhos de carne.
Posso dizer que foi a melhor coisa que fiz pra minha saúde e pra minha vida. !
Hoje, após 2 anos que realizei a cirurgia bariátrica, estou plena e feliz com os resultados.
Eliminei metade do que eu pesava e hoje, estou nos 58kg e caminhando para minha meta final de 55kg.
Já comecei uma nova etapa: plásticas reparadoras! Em outubro de 2008, me submeti a abdominoplastia reparadora, com retirada de 1,5kg de excesso de pele e em 23 de abril, me submeti a mamoplastia redutora com colocação de prótese, para harmonizar as mamas, graças à CAMPANHA AMIGOS DO PEITO, em que amigos virtuais e reais colaboraram com doações para que a prótese fosse comprada.
Hoje, minha alimentação é super saudável, faço cerca de 6 refeições por dia, com intervalos de 3 horas entre cada uma. Não tenho vômitos, restrições alimentares e entalos.
Posso me considerar uma pessoa vitoriosa, pois lutei pelo meu objetivo e hoje, tenho mais qualidade de vida e saúde, se comparado há mais de 2 anos.
Tiane Brites de Andrade – Consultora, Cuidadora de Pré e Pós-Cirúrgicos e Palestrante
Email: contato@magraemergente.com
Telefone: 31 9893-9326










